Pequena Morte foi a primeira performance concebida como parte de uma investigação das relações humano-animais. Sua primeira versão aconteceu em 2016 e foi reperformada em cinco ocasiões diferentes (2016-2017).
A performance Pequena Morte surgiu como uma tentativa de insurreição pessoal. Sua referência visual repousa no ritual rural de esquartejamento do bicho para finalidades alimentares. Após a morte do animal, com a ajuda de uma corda, um grupo de pessoas eleva o corpo morto na finalidade de lhe retirarem o couro, as vísceras e, depois, cortá-lo nas partes que lhes convém. Como uma vaca sozinha, desprovida de rebanho, eu performo sozinho. Não me movo por entre um rebanho, o que não quer dizer que eu não me preocupe em saber por onde ele anda. Sou uma cabeça de gado que, até mesmo no ato de morte, precisa realizar a elevação sozinho. O próprio corpo que se entrega à morte é o agente que puxa a corda. Uma parte precisa tornar-se passiva, permissiva, morta. Outra parte precisa fazer a força de levantar sua própria parte passiva. Este era um ciclo de autoelevação urobórica, um esforço inútil e um apelo por transformação. (Fragmento extraído do artigo Arremates em torno da suspensão como força transindividual na Performance Pequena Morte, 2017.)
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Pequena Morte was the first performance conceived as part of an investigation into human-animal relations. Its first version took place in 2016 and was performed on five different occasions (2016-2017).
The performance emerged as an attempt at personal insurrection. Its visual reference is located in the rural ritual of dismembering animals for food purposes. After the animal’s death, a group of people use a rope to lift the dead body in order to remove its skin and entrails and then cut it into the parts that suit them. Like a cow alone, without a herd, I perform alone. I do not move among a herd, which does not mean that I do not worry about knowing where it is. I am a head of cattle that, even in the act of death, needs to lift itself. The body itself that surrenders itself to death is the agent that pulls the rope. A part needs to become passive, permissive, dead. Another part needs to exert the force to lift its own passive part. This was a cycle of uroboric self-elevation, a futile effort and a search for transformation. (Excerpt from the article Arremates em torno da suspensão como força transindividual na Performance Pequena Morte, 2017.)





